Quarta, 08 Abril 2020
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Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram, em laboratório, que o antirretroviral atazanavir pode inibir a replicação do novo coronavírus em células infectadas. Os resultados obtidos ainda precisam ser confirmados através de testes clínicos com pacientes para que o medicamento se torne uma possibilidade no combate à doença. A informação é da Agência Brasil.

A pesquisadora Milene Miranda, do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), avaliou que os resultados foram muito promissores, já que o antirretroviral, usado no combate ao HIV, não só inibiu a replicação viral como reduziu o quadro inflamatório das células infectadas.

"Se a pessoa tem um processo inflamatório menor, ela tem um melhor prognóstico", resumiu a bióloga.

Para a realização dos ensaios in vitro, pesquisadores utilizaram um isolado viral produzido a partir de uma amostra de paciente infectado no Rio de Janeiro. Antes dos ensaios, a metodologia contou com a utilização de análises de modelagem computacional para simular como o atazanavir interage com a enzima usada pelo vírus para se replicar no corpo humano.

O trabalho foi enviado para a revista científica Nature Communications e disponibilizado para a comunidade científica internacional em formato preprint - sem revisão formal por outros especialistas da área -, o que acelera a troca de informações entre pesquisadores, enquanto os trâmites de uma publicação científica seguem paralelamente.

Milene Miranda explica que uma das vantagens da pesquisa com medicamentos já utilizados para outras doenças é a possibilidade de superar mais rapidamente às exigências regulatórias, caso os próximos experimentos confirmem que a substância poderia ser utilizada contra o coronavírus.

"Quando você descobre um novo medicamento, entre descrever uma atividade in vitro e ter esse medicamento podendo ser administrado, isso pode levar 20 anos. Mas, quando se observa um segundo uso para um fármaco que já é utilizado, você consegue agilizar algumas dessas etapa", afirma ela.

Ação diferente A pesquisa também mostrou que, nos ensaios em laboratório, o atazanavir apresentou um funcionamento diferente do que a cloroquina poderia ter no combate ao vírus, caso sua efetividade seja cientificamente comprovada. "São mecanismos diferentes de ação que poderiam ser combinados", disse Milene.

A bióloga adverte, entretanto, que os resultados dos testes não são suficientes para a administração do remédio em pacientes com coronavírus, muito menos devem motivar automedicação. "Nosso principal alerta é que esse é um experimento, não é um ensaio clínico. Ainda tem etapas a serem cumpridas. O objetivo foi chamar atenção para um segundo uso de um medicamento. E não para que se saísse por aí tomando o atazanavir", afirma. "A automedicação nunca é indicada."

As cidades de Pinheiral e Piraí confirmam por meio de suas respectivas secretarias municipais de Saúde que cada uma registra seu segundo caso de Coronavírus. Os pacientes estão isolados e em monitoramento, reiteram as pastas.

O registro de Pinheiral consta de uma mulher de 76 anos que não teve seu nome divulgado. Ela, que segundo a pasta de Saúde do município está bem, foi atendida em um hospital de Volta Redonda e, assim como ela, sua família também está sendo monitorada por uma equipe de vigilância epidemiológica.

O caso registrado em Piraí não teve mais detalhes informados pela secretaria de Saúde, sendo relatado que é um morador de Arrozal. Outros 20 casos suspeitos da doença tiveram exames enviados ao Laboratório Central Noel Nutels (Lacen), saindo o resultado nos próximos dias.  

 

A Secretaria de Estado de Vitimados (SEVIT) recebeu mais de 300 pedidos para atendimento psicológico no primeiro dia de auxílio aos idosos e demais grupos de risco que estão em isolamento social pelo coronavírus. Os principais pedidos de ajuda foram de pessoas que sofrem de problemas respiratórios, algumas em decorrência do cigarro, e pais de crianças com autismo e outras necessidades especiais. Outras queixas retratadas estão ligadas às questões emocionais, como ansiedade, solidão e angústia.

A partir da seleção, seguindo o critério de atendimento, os casos são direcionados para os profissionais da SEVIT e psicólogos voluntários que se cadastraram no programa de voluntariado da Secretaria de Estado de Saúde. As consultas são realizadas remotamente, seja por telefone ou via internet. Vale lembrar que a Secretaria de Vitimados já vem oferecendo auxílio psicológico às famílias das pessoas que morreram por causa do novo coronavírus. Quem desejar atendimento deverá entrar em contato pelo Whatsapp (21-99408-3287), pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., ou pelas redes sociais da secretaria (@sevitrj).

A Secretaria de Estado de Saúde inicia nesta semana, no Hemorio, uma série de estudos para utilização da técnica do plasma convalescente para tratamento de pessoas com quadro grave de Covid-19. O procedimento consiste em infundir o plasma - parte do sangue que contém anticorpos - colhido de pacientes curados para transfundir em infectados e com quadro grave. A mesma técnica já foi aplicada nas epidemias de ebola e H1N1 e surge como mais uma possível estratégia para o combate do coronavírus. Pacientes curados no estado do Rio de Janeiro serão convocados e avaliados como potenciais doadores do plasma.

O plasma convalescente não é novidade no Hemorio. Anteriormente, em parceria com a Fiocruz e a Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, o hemocentro já havia estudado a mesma técnica para o vírus da dengue, e bons resultados foram obtidos (em laboratório).

Para o secretário de Estado de Saúde, Edmar Santos, o tratamento dos pacientes é o principal foco, assim como o isolamento social.

“É uma alternativa terapêutica promissora que poderá dar uma nova chance a muitas pessoas. Estamos empenhados em avançar nos estudos e, se os resultados vierem, será mais um meio de salvarmos vidas. Quanto menos pessoas infectadas ao mesmo tempo, menos mortes. Por isso, faço mais um alerta para as pessoas ficarem em casa”, diz.

Em contato constante com diversos serviços de sangue mundo afora, o Hemorio tem notícias de que países como França, Canadá, Israel e Espanha também estão se preparando para a utilização do plasma convalescente, como já é feito nos EUA. Na China, a publicação do balanço de um experimento com pacientes graves com Covid-19 indica bons resultados em uma parcela dos testados.

O diretor do Hemorio, Luiz Amorim, explica que cada plasma coletado pode fornecer tratamento para até três pessoas. O plasma doado pelos pacientes curados ficará na unidade e será distribuído mediante solicitação dos hospitais que tratam casos graves de Covid-19.

“A expectativa é que haja melhora da evolução da doença e redução da mortalidade nos pacientes que recebam a terapia, além de os riscos serem praticamente zero. No entanto, só os resultados dos estudos determinarão se a abordagem é de fato eficaz”, disse ele.

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