Segunda, 21 Janeiro 2019
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27 de setembro é lembrado como o Dia Nacional da Doação de Órgãos, assim como existem também iniciativas como a campanha "Setembro Verde", para conscientização da causa. Nesta quarta-feira, 26, o governador Luiz Fernando Pezão e o secretário de Estado de Saúde, Sérgio D’Abreu Gama, participaram de uma homenagem aos parceiros do Programa Estadual de Transplantes (PET), na Gávea. No evento “Parceiros Pela Vida” foram apresentados os números de transplantes do RJ, além da entrega de medalhas às pessoas e instituições que auxiliam na captação de órgãos no Estado.

Entre os homenageados, a família do policial militar Rodrigo Limeira Gregori, morto em uma tentativa de assalto, que atuava como batedor do Batalhão de Choque da PM, abrindo caminho para as ambulâncias do transporte de órgãos. Além da equipe do Corpo de Bombeiros que pilota o Helicóptero do PET, representantes dos hospitais transplantadores e famílias de doadores de órgãos.

"É uma alegria imensa ver o avanço do Programa Estadual de Transplantes. Saímos dos últimos lugares em números de transplantes no Brasil e hoje estamos em quarto. Quero agradecer o trabalho de todos os envolvidos no processo, que se esforçam tanto para salvar vidas, e agradecer, principalmente, as famílias que, em momento de dor quando perderam um entre querido, tiveram esse gesto de nobreza de pensar no próximo", diz o governador Luiz Fernando Pezão.

Criado em 2010, o PET vem batendo todos os recordes. Só este ano, já foram realizados 1.287 transplantes, cerca de 11% a mais do que no mesmo período do ano passado. Desde a criação do programa, quase 15 mil vidas foram transformadas. Em 2017, foram 2.676 procedimentos, um aumento de 318% em relação a 2010.

"Todos esses recordes batidos pelo PET são fruto de uma equipe que trabalha com muita dedicação. Além disso, as parcerias com o Batalhão de Choque da PM e com o Corpo de Bombeiros são fundamentais para a agilidade no transporte de órgãos. E para os receptores de órgãos que tiveram a vida transformada pelo trabalho dessas pessoas, eu desejo que vivam intensamente e aproveitem cada minuto", diz o secretário de Estado de Saúde, Sérgio Gama.

Para o transplante acontecer é imprescindível que famílias, no momento da dor, digam apenas uma palavra: sim. Atualmente, a autorização familiar é a única forma dos transplantes acontecerem.

"Sabemos que a decisão de doar os órgãos de um parente é tomada no momento mais difícil, mas o debate nos ajuda a aumentar o número de doações. A doação de uma única pessoa pode significar até sete transplantes, mudando a vida de muita gente", explica Gabriel Teixeira, coordenador do PET.

Morador da Rocinha, José Osmar foi um dos pacientes salvos pelo PET. Portador da Doença de Chagas, ele precisava de um transplante de coração e viu sua vida mudar após o transplante. Hoje ele é atleta e maratonista.

"Se não fosse pela família que autorizou a doação de órgãos, eu não estaria aqui para contar minha história. Depois do transplante, foi como se eu tivesse voltado a viver. Serei eternamente grato à família do doador que teve uma atitude tão nobre', conta José Osmar.

 

PET EM NÚMEROS

O aumento no número absoluto de procedimentos não foi o único recorde batido. Transplantes de coração realizados pelo Programa Estadual de Transplantes nunca atingiram o patamar de 2018. De janeiro a agosto, 17 pessoas passaram a viver com o órgão. Em 2017, foram 12. Além disso, foram 668 transplantes de córnea realizados entre janeiro e agosto de 2018. Ao todo, desde a criação do PET, foram 3.295 procedimentos. Já para fígado, no mesmo período, foram transplantados 170. Em 2017, foram 247. Esse número, recorde no estado, representa um aumento de 263% de transplante de fígado em relação a 2010, quando foram realizados 68 procedimentos. No geral, em 2018 já foram feitos 1.287 transplantes.

 

Doe+Vida

As equipes da Coordenação Familiar do PET também realizam, desde 2015, palestras de conscientização em empresas, instituições e diferentes entidades para falar sobre o assunto. Além disso, o programa disponibiliza o site www.doemaisvida.com.br, onde as pessoas que querem se declarar doadoras podem se cadastrar, além de imprimir o Cartão do Doador. Apesar de não ser um documento legal, uma vez que somente familiares diretos podem autorizar a doação, o cadastro visa estimular as famílias que discutam o assunto, busquem informações e compartilhem entre todos a vontade de ser doador.

 

Vidas que dependem do “sim”

A legislação brasileira determina que apenas parentes diretos de pacientes com diagnóstico de morte encefálica têm o direito de autorizar a doação de órgãos e tecidos. Portanto, conversar e expor o desejo de ser doador à família são a forma mais importante de fazer com que essa vontade seja respeitada.

Estatísticas relacionadas a doenças decorrentes de falta de saneamento básico adequado, tais como Cólera, Hepatite A, Leptospirose e Amebíase, atestam que o custo para o tratamento, para o Sistema único de Saúde (SUS) pode chegar a R$ 100 milhões. As informações são da Agência Brasil.  De acordo com dados do Ministério da Saúde, ao todo, foram 263,4 mil internações. O número ainda é elevado, mesmo com o decréscimo em relação aos casos registrados no ano anterior, quando 350,9 mil internações geraram custo de R$ 129 milhões.

Por outro lado, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, para cada dólar investido em tratamento adequado da água, US$ 4,3 são economizados em custos de saúde no mundo. Atualmente, de acordo com o Instituto Trata Brasil, apenas 44,92% dos esgotos coletados no país são tratados. 

A precariedade do atendimento à Saúde no Brasil tem reflexo direto com a violência sofrida pelos profissionais da Saúde, no exercício de suas funções, mostrou levantamento inédito do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) e Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP). Dos 6.832 médicos, profissionais de enfermagem e farmacêuticos que participaram da sondagem, 71,6% responderam já ter sofrido violência no exercício da profissão. Os profissionais até 40 anos e as mulheres são as principais vítimas das ocorrências.

Sete em cada dez médicos e seis em cada dez profissionais de enfermagem disseram ter sofrido a violência em instituição pública, enquanto que, para os farmacêuticos, 70% dos casos de violência ocorreram no setor privado. O principal tipo das agressões sofridas pelos profissionais é verbal - 90% para profissionais de enfermagem, 47% para médicos e 89% para farmacêuticos. A violência física é o segundo tipo com maior incidência, atingindo 21% dos profissionais de enfermagem, 18% dos médicos e 7% dos farmacêuticos.

A violência acontece, em maior incidência, por parte dos próprios pacientes, seguido por familiares e acompanhantes em segundo e terceiro lugares dos que mais agridem os profissionais. As filas e a demora no atendimento são as principais motivações da agressão contra os profissionais, resultando em 66% dos casos de violência contra profissionais de enfermagem, assim como 56% e 53% quando envolvem farmacêuticos e médicos, respectivamente.

POR QUE SOFREU A AGRESSÃO?

Apesar do alto índice de agressões sofridas pelos profissionais de Saúde, a denúncia ainda é pouco registrada. Em média, 80% dos profissionais de enfermagem, médicos e farmacêuticos que passaram por uma situação de violência não efetivaram uma denúncia, principalmente, pela sensação de impunidade, pela falta de apoio da instituição, porque não sabia onde ou como fazer a denúncia e receio de perder o emprego.

Dos quase 20% que denunciaram, grande parte afirmou não ter recebido acolhimento ao efetivar a reclamação. Apenas 15% dos profissionais de enfermagem e 11% de farmacêuticos se sentiram atendidos ao denunciar, diferentemente da categoria médica, que teve 59% das queixas acolhidas pela polícia, justiça ou pela instituição onde trabalha.

"Os dados obtidos com o levantamento revelam uma situação bastante crítica no cotidiano dos profissionais da saúde", comenta o presidente do Cremesp, Lavínio Nilton Camarim. "Precisamos reverter este quadro, nos aproximando, cada vez mais, desses profissionais e de seus locais de trabalho, dando todo o apoio para que se sintam acolhidos e com segurança para denunciar as agressões sofridas", completa Camarim.

"É inadmissível para nós pensar que essas agressões estão acontecendo. Isso tem levado a comunidade da enfermagem a adoecer, temos inúmeras licenças, afastamentos, burnout e outras doenças", declara a presidente do Coren-SP, Renata Pietro.

Para o presidente do CRF-SP, Marcos Machado, o grande destaque dessa campanha é a ação conjunta de três Conselhos da área de Saúde, que mostra que o problema é comum entre os profissionais das categorias. "É uma questão que afeta a todos e deve ser enfrentada em parceria. Essa ação integrada ajuda a chamar a atenção da população, do sistema público de saúde e também das empresas privadas que atuam na área. Todos precisam estar atentos para minimizar esse problema e também é importante conscientizar a população que não é agredindo o profissional que a situação será resolvida, pelo contrário, ele está ali pra ajudar."

Iniciativas

Os resultados contribuem a demandar ações das autoridades para combater o cenário, além de auxiliar as instituições de saúde na formulação de estratégias de prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência.

Os conselhos apoiam a aprovação dos Projetos de Lei (PL) 6.749/16 e 7269/2017, que propõem tornar mais rígidas as penas para quem cometer atos de violência contra médicos e demais profissionais da saúde.

O PL 7269/2017 prevê a tipificação dos crimes de agressão aos profissionais de saúde, dentro e fora do ambiente de trabalho e acrescenta o § 13 ao art. 129 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para qualificar a conduta de agressão contra profissionais de saúde. O PL está em tramitação no Senado Federal.

Já o PL nº 6.749/16 quer tornar mais rígidas as penas para quem cometer atos de violência contra médicos e demais profissionais da saúde. Este PL está em tramitação final na Câmara dos Deputados e teve a aprovação da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Casa.

Campanha

Quem cuida merece respeito. Com esse mote, o Cremesp, Coren-SP e CRF-SP estão promovendo uma campanha publicitária de combate à violência contra profissionais da saúde. A intenção é sensibilizar a população de que agredir os profissionais só piora a situação, prejudicando o atendimento.

A campanha conjunta representando profissionais médicos, de enfermagem e de Farmácia está sendo veiculada em jornais, emissoras de rádio, metrô, CPTM, mídia digital e nos veículos de comunicação próprios dos três Conselhos, além da divulgação de cartazes em instituições de saúde.

No último sábado, o grupo Doutores de Esperança realizou seu primeiro atendimento na Santa Casa de Misericórdia de Barra do Piraí. A turma formada em Barra do Piraí esteve no hospital das 14 às 18 horas, com mais 40 pessoas, entre pacientes, acompanhantes e funcionários atendidos.

De acordo com a coordenadora do projeto em Barra do Piraí, Izadora Moura, primeiramente os integrantes da turma, batizados de “clowns” (palhaços, em inglês) interagem com os pacientes, depois entra um grupo de oração, porém a humanização é feita com todos, dos pacientes até os funcionários da faxina. O próximo atendimento será sábado que vem (24) no hospital Maria de Nazaré, no bairro Matadouro.

Fundado em Volta Redonda, em 2013, a trupe Doutores de Esperança é um grupo que com bom humor atua junto a crianças, adultos, idosos hospitalizados, seus acompanhantes e profissionais de saúde. A essência do trabalho é a utilização da paródia do palhaço que brinca de ser médico no hospital, tendo como referência a alegria e o lado saudável dos hospitalizados, colaborando para a transformação do ambiente em que se inserem.

Rua Ana Nery, 120 - 9º andar
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CEP 27123-150
Tel.: (24) 2443-1470 (AM)
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