Terça, 14 Julho 2020
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Estiagem leva ao aumento de queimadas; estado acusa aumento em quase 200% de registros

As queimadas são umas das principais causas do desmatamento de florestas e dos impactos negativos ao clima do planeta. No estado do Rio de Janeiro, embora a conscientização esteja maior nos últimos anos, as queimadas ainda têm causado grandes prejuízos ambientais e econômicos em áreas protegidas e propriedades privadas. Segundo o monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), os focos de incêndio no estado cresceram cerca de 190% em 2019 (713 focos), em relação ao ano anterior (246 focos). O aumento pode ser explicado, principalmente, pelo severo período de estiagem registrado no período.

Ações preventivas de combate às queimadas, que têm sido cada vez mais frequentes, devem acontecer durante todo o ano. No entanto, os cuidados para se evitar a destruição das florestas e a perda da biodiversidade, precisam ser redobrados no período mais seco do ano, que no estado do Rio costuma compreender os meses de maio a outubro (outono e inverno). É nessa época, quando há baixa umidade e o acúmulo de vegetação seca no solo, que as queimadas mais acontecem.

As consequências da prática de queimadas, considerada crime ambiental, podem ser devastadoras para o meio ambiente e a vida humana. A perda de florestas decorrentes de incêndios florestais podem contribuir para intensificar e prolongar as secas, a desertificação, as fortes chuvas e as ondas de calor e frio extremos. A destruição da cobertura vegetal e a queima do solo diminui a infiltração de água, prejudicando nascentes, causando enchentes e, consequentemente, riscos à segurança da população rural e urbana. Além de ameaçar de extinção várias espécies da flora e da fauna, quando o fogo destrói a vegetação ou sistemas produtivos causa grande desequilíbrio ao ecossistema.

As queimadas também prejudicam a saúde. Segundo dados publicados em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as queimadas e os incêndios florestais são responsáveis por 75% das emissões de gás carbônico lançado no ar no Brasil. Quando em concentração muito elevada, esses gases prejudicam a qualidade do ar, causando doenças respiratórias como bronquite, asma, rinite e, até mesmo, de alguns tipos de câncer.

Áreas protegidas

As Unidades de Conservação do estado, áreas protegidas pelo poder público para manutenção dos serviços ecossistêmicos e conservação da biodiversidade, também registraram uma alta nos incêndios florestais em 2019. Foram cerca de 1.650 hectares de vegetação consumidos pelo fogo ao longo do último ano, nas 38 UCs estaduais, de acordo com acompanhamento da Gerência de Guarda-Parques (GGPAR), do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

No ano passado, o Parque Estadual Serra da Concórdia, no município de Valença, sofreu dois incêndios de grande proporção em apenas dois dias. Cerca de 40 hectares de floresta nativa e pastagem viraram cinzas em duas áreas distintas dentro do parque.

“O prejuízo ecológico das queimadas é enorme. Nem todos conseguem compreender o valor da biodiversidade. É muito triste ver a morte de animais, árvores e riachos. A natureza leva muito tempo para se recompor. É importante sensibilizar a todos sobre a importância de prevenir as queimadas”, diz Carlos Pontes, chefe de serviço de controle e acompanhamento da gerência de Guarda-parques, do Inea. Os Guarda-parques são responsáveis por ações de prevenção e combate a incêndios nas UCs, além de atuarem junto às propriedades rurais próximas às áreas protegidas, alertando sobre os riscos das queimadas.

O Instituto Estadual do Ambiente também desenvolve ações de restauração florestal para recuperação de áreas degradadas, entre elas as que passaram por incêndios florestais, sejam em áreas privadas ou protegidas como as Unidades de Conservação. Nos últimos onze anos (2008-2019), mais de 6.700 hectares foram restaurados ou estão em processo de implementação por meio de medidas compensatórias. A previsão é que, até 2022, seja restaurado e monitorado o total de 10 mil hectares.

De onde vem o fogo?

A origem do fogo na vegetação pode ter diferentes causas. Desde a queima de lixo doméstico nas propriedades rurais; a caça predatória, que usa o fogo para afugentar os animais; o abandono de velas acesas próxima à vegetação (oferendas religiosas); a soltura de balões (crime ambiental) ou de cigarros acesos na beira de estradas. No entanto, outra prática antiga,e também considerada crime ambiental, continua sendo uma das principais causas de incêndios florestais: as queimadas em áreas de lavoura e pastagem pela atividade agropecuária.

Por mais inofensivo que possa parecer, o fogo ao fugir do controle pode ganhar força e se alastrar rapidamente, atingindo áreas de proteção permanente (APPs), como matas ciliares e topos de morro, e Reservas Legais, ameaçando a produção, o capital ambiental e a sustentabilidade da propriedade.

Ao contrário do que se pensava antigamente, a prática provoca o desequilíbrio dos nutrientes e características naturais do solo, aumentando a incidência de pragas e espécies invasoras. A fertilidade do solo também fica comprometida após a queima da vegetação, obrigando, muitas vezes, os produtores rurais a recorrerem ao uso de fertilizantes químicos. Além de prejudicar a produtividade, as queimadas também aumentam a incidência de erosões no solo e reduz a quantidade de água de poços, nascentes e córregos.

Segundo o diretor técnico da Emater-Rio, Marcelo Costa, a prática das queimadas na agropecuária já não é mais tão comum como antigamente, porém ainda ocorre, principalmente, devido à imprudência ou falta de prevenção. “É muito importante alertarmos os produtores rurais sobre os riscos dessa prática mostrando alternativas de manejo do solo mais sustentáveis e vantajosas ao meio ambiente e à produção. Como, por exemplo, o uso do roçado, o plantio direto, a trituração da capoeira, a adoção de sistemas agroflorestais e silvipastoris, entre outras práticas”, explica.

No estado do Rio, provocar queimadas é crime ambiental, passível de advertência e multa de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), por hectare ou fração queimada, segundo a Lei Estadual 3.467/2000. Outras legislações também abordam o tema: Lei da Mata Atlântica 11.428, Código Florestal 12.651/2012 e a Lei de Crimes Ambientais 9.605/1998.

Atualmente, a prática da queimada em áreas produtivas só é permitida em casos específicos, os quais dependem de autorização prévia e acompanhamento dos órgãos de fiscalização competentes. Ainda assim, não é recomendado o uso de queimadas na agropecuária.

Como prevenir:

· Construção e manutenção de aceiros (faixa de terra livre de vegetação) em torno da mata, casa, cercas e postes, ao longo de estradas e rodovias. A largura da faixa deve ser de, no mínimo, três metros, devendo ser duplicada em determinados casos; · Não faça queimadas para limpeza de lavouras ou renovação de pastagem; · Não acenda fogueiras na vegetação e próximo a áreas de áreas protegidas; · Não jogue pontas de cigarro no ambiente, em trilhas e na beira de estradas; · Não queime lixo doméstico ou industrial próximo a áreas protegidas; · Não abandone objetos de vidro nas proximidades de áreas produtivas e de proteção; · Não solte balões; · Conscientize outras pessoas sobre os riscos das queimadas; · Denuncie quem faz queimadas.

Disque denúncia: (21) 2253-1177 Corpo de Bombeiros: 193

Fonte: Comenxão Mata Atlântica

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