Segunda, 21 Outubro 2019
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“Os Boinas da Paz”: um dos vencedores do Prêmio Nobel da Paz mora hoje em Barra do Piraí

O senhor Sergio de Souza, de 81 anos, morador do bairro Muqueca, fez parte do grupo militar Batalhão de Suez, enviado ao Oriente Médio como parte das forças da ONU em missão de paz (Fotos: Felipe Castro) 

Muito orgulhoso de seu feito e de riso fácil. Este é o senhor Sérgio de Souza, de 81 anos, carioca que há dois meses mora no bairro Muqueca, em Barra do Piraí. Ele procurou nossa reportagem, na sede do Grupo RBP de Comunicação, para compartilhar sua história: em 1988, Sérgio foi um dos 350 soldados a receberem o Prêmio Nobel da Paz, pela sua contribuição de sucesso na Missão de Paz realizada pela ONU, no Oriente Mèdio, entre 1957 e 1967.

O Batalhão de Suez, como ficou conhecido, foi formado por 20 contingentes do Exército Brasileiro, enviado ao Oriente Médio como parte das Forças de Paz da ONU no conflito existente entre o Estado de Israel, o Egito, e seus vizinhos árabes a partir de 1956. Criado por decreto do Congresso Nacional do Brasil em 22 de novembro do mesmo ano, foi parte da Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF I), em operação no Egito, ao longo do Canal de Suez, durante aquele conflito e nos anos posteriores, até 1967.

Um pouco mais sobre a história: A Força de Paz foi criada após a nacionalização do canal pelo presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, em 26 de julho de 1956. Essa atitude atingiu a França e ao Reino Unido, levando os dois países a apoiarem a invasão de Israel a Península do Sinai, levando ao conflito denominado Guerra de Suez.

Mais exatamente em setembro de 1961, Sérgio de Souza estava em um batalhão de 350 soldados enviados para a área, em Missão de Paz. “Éramos muito respeitados. Em geral, os soldados brasileiros sempre foram admirados. Apenas uma vez tive que apertar o gatilho a um invasor que tentou roubar um galão de combustíveis. Mesmo assim, atirei para assustá-lo e deu certo”, revelou.

Segundo Sérgio, sua tropa ficou responsável por vigiar um trecho de 8 km na fronteira da Faixa de Gaza (zona de conflito entre Palestina e Israel). “Fizemos um trabalho muito bonito, ajudamos muita gente. Era um trecho temido, perigoso, perdi amigos, porém, essa foi a nossa missão”, declarou.

Em 1988, as forças de manutenção da paz das Nações Unidas receberam a outorga do Prêmio Nobel da Paz, com a alcunha de “Os Boinas Azuis da Paz”. Sérgio disse que, nem todos os soldados foram buscar seus diplomas e que, até hoje, ele crê que sua equipe merecia ainda mais reconhecimento. “Esses dias, vi na TV que o presidente Jair Bolsonaro, em quem depositei meu voto na última eleição, disse que o Brasil precisa de um Prêmio Nobel da Paz. Já temos! Eu e meus companheiros somos agraciados com essa honraria. Inclusive, em minha tropa, se não me engano, havia um parente do atual vice-presidente Hamilton Mourão”, disse Sérgio.

Muito simpático, o ex-militar espera que essa reportagem chegue até o Presidente da República. “Eu não sou o maior conhecedor, mas sei que a internet tem uma força imensa. Quem sabe o presidente leia essa reportagem e homenageie um dos maiores serviços militares brasileiros? Assim eu espero!”, finalizou.

19nobel

Sergio exibe com orgulho sua foto, quando era um jovem militar em Missão de Paz e seu diploma de Prêmio Nobel da Paz (Foto: Felipe Castro)

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