Sábado, 21 Julho 2018
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"Pantera Negra" é mais do que o filme certo na hora certa

Existem mil coisas para se falar sobre "Pantera Negra". O filme (que o iG já assistiu e amou) estreia nessa quinta-feira (15) trazendo pela primeira vez um herói negro da Marvel como protagonista e dono de sua própria história. A primeira aparição do personagem, em “ Capitão América: Guerra Civil ”, serviu como uma boa introdução ao personagem, mostrando traços importantes de sua personalidade, como a importância do seu povo e de sua família, e o comprometimento em servir a população, seja como o representante político na figura do Rei de Wakanda, seja como o guardião na pele do Pantera Negra.

Com essa introdução, o " Pantera Negra " de  Ryan Coogler evita a história da origem do herói, e o cria a partir dos desdobramentos de Guerra Civil. De volta a seu país, ele tem que assumir o trono e proteger os recursos naturais de Wakanda de seus muitos inimigos. Nas mãos de Coogler, Wakanda se torna, ao mesmo tempo, um templo com diversas referências a cultura africana, e um país rico e extremamente tecnológico. Coogler, por sinal, é o primeiro diretor negro a chefiar um filme de heróis. E ele se permitiu “ousar”, criando um mundo que exalta a cultura negra por sua inteligência, beleza natural e longe dos estereótipos tradicionais.

Seu elenco, por conta disso, não podia ser diferente, e é formado principalmente por atores negros. Michael B. Jordan , o vilão Erik Killmonger, já trabalhou com o diretor antes em “Fruitvale Station”, filme que ofereceu visibilidade a ambos, enquanto Letitia Wright (de “Black Mirror”), desponta como um dos nomes a se acompanhar nos próximos anos. Daniel Kaluuya também se beneficia da visibilidade de um filme de herói para acrescentar à boa fase começada com “Corra”.

Protagonismo feminino
Nos quadrinhos, o Pantera Negra conta com um grupo de seguranças e soldados a seu lado, chamado Dora Milaje e formado exclusivamente por mulheres. Com um material de origem tão rico em personagens femininos, Coogler soube aproveitá-lo nas telonas. Okoye (Danai Gurira) é a chefe das Dora Milaje, mas outras personagens femininas se destacam como Nakia (Lupita Nyong’o), a irmã do herói Shuri (Letitia), e sua mãe Ramonda (Angela Basset).

Trilha de Kendrick
Já vimos outros rappers dominarem a trilha sonora de filmes, mas na maioria das vezes a música serve como um contexto para a história. Ou os personagens ouvem esse tipo de música ou, ela é protagonista do filme como em “Straight Outta Compton”, mas é apenas exaltada como estilo musical. A curadoria de Kendrick Lamar foi certeira em somar artistas proeminentes negros, como The Weeknd e Travis Scott, com músicos africanos.

Pioneirismo
Escrito por Coogler e Joe Robert Cole (“American Crime Story”) é a primeira vez que a adaptação de um roteiro da Marvel é feita exclusivamente por negros. Mas, não só isso, o filme é o primeiro de super-herói a ter uma mulher da direção de fotografia. Rachel Morrison é uma grande pioneira e seu trabalho e visibilidade nos últimos anos podem ajudar a mudar o “status quo”, onde tão poucas mulheres ocupam o espaço, como é a direção de fotografia. Além do trabalho em “Pantera Negra”, ela se tornou recentemente a primeira mulher dos 90 anos de Oscar a ser indicada na categoria.

“ Pantera Negra ” é o filme certo na hora certa por destacar o negro sem estereótipos e desenvolver uma série de “primeiras vezes” no cinema (principalmente de herói), mas é mais do que isso. Um filme que se desfaz das amarraras da fórmula Marvel, se diferencia dos demais pelos personagens e pelo tema relevante, e com um elenco cheio de estrelas, o filme merece seu espaço entre os maiores longas de super-heróis. Wakanda Forever!

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