Sábado, 21 Mai 2022

Educação – Pais de crianças autistas de Barra do Piraí pedem agilidade para que seus filhos tenham mediadores nas escolas municipais

No dia 14 de abril, será realizada a etapa de Barra do Piraí do CONAE 2022, a Conferência Nacional de Educação, ainda sem local e cronograma divulgados pela secretaria de Comunicação de Barra do Piraí. Neste ano, o tema da conferência será “Inclusão, equidade e qualidade”. Neste sábado, 02, será realizada uma passeata no Centro de Barra do Piraí como forma de divulgar informações sobre o dia da conscientização autista no município. Aproveitando a oportunidade, vamos utilizar esse espaço para alertar sobre a situação dos pais e responsáveis de crianças autistas matriculadas em escolas municipais de Barra do Piraí.

Nossa reportagem conversou um grupo de pais que pedem agilidade na resolução de uma questão importante para que seus filhos possam estudar sem perder ano letivo, a necessidade garantida pela Lei Federal nº 12.764 de mediadores para crianças autistas que, comprovadamente, através de laudos, necessitam de um profissional especializado para auxilia-las nas aulas para socialização e um melhor aprendizado.

Infelizmente, segundo esses pais, não há profissionais suficientes para todas as crianças matriculadas na rede municipal que necessitam desse serviço. Eles se uniram, através de um grupo no whatsapp, para cobrar atitudes por parte da secretaria de Educação. “Fomos bem recebidas por uma equipe da Educação e pela secretária da pasta, Glória Guimarães, em uma reunião realizada no local. Porém, recebemos a informação de que a prefeitura teve problemas na contratação desses profissionais, através de um processo seletivo. Problema que compromete hoje o ano letivo dessas crianças”, disse uma mãe, que não vamos identificar, para nossa reportagem.

Nesta terça-feira, 29, em uma entrevista realizada no programa Fatos RBP, na conexão AM e FM da Rádio Barra do Piraí, o prefeito de Barra do Piraí Mario Esteves declarou que não há condições hoje de contratar profissionais para todas essas crianças. Segundo o prefeito, por conta da pandemia, muitos pais que antes matriculavam seus filhos em escolas particulares, hoje estão matriculando essas crianças na rede municipal e por isso houve um aumento significativo de crianças com autismo para o município assistir. “Temos que esperar o próximo Censo Escolar municipal para poder contratar mais mediadores, através de um processo seletivo, para que possam ser assistidos no próximo ano”. Disse o prefeito. Segundo Mario Esteves, hoje são mais de cem crianças com espectro autista que necessitam de mediadores em Barra do Piraí, porém, o município tem hoje contratados apenas cerca de 40 mediadores e que não seria possível, em tempo hábil, contratar mais profissionais adequados para atender todas essas crianças.

“Estamos tentamos de todas as formas resolver esse problema, porém, os pais precisam entender e ouvir nossa parte também. Hoje o município não tem recurso para a contratação desses profissionais e é necessário aguardar o Censo para que mais mediadores possam ser contratados de forma legal, dentro dos trâmites necessários”, disse o prefeito.

Caso algum leitor não tenha ciência, o Censo Escolar é uma pesquisa estatística que tem por objetivo oferecer um diagnóstico sobre a educação básica brasileira. Coordenado pelo Inep, é realizado em regime de colaboração entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios.

Pais contestam algumas informações e pedem aprofundamento nessa questão “Nossos filhos estão perdendo anos letivos importantes”

Após a entrevista, nossa reportagem conversou novamente com esse grupo de pais que, apesar de entenderem a dificuldade financeira do município, contestam algumas informações do chefe do executivo municipal nessa entrevista. Segundo esses pais, não há dados que comprovem que na verdade esse aumento de crianças matriculadas seja fruto da pandemia e da transferência de escolas citada pelo prefeito. Na verdade, de acordo com o grupo, há alguns anos era impossível conseguir laudos para crianças entre 2 a 4 anos de idade que comprovassem a condição de autismo nelas. Com a evolução médica, hoje é possível cada vez mais cedo identificar o espectro autista nessa faixa etária e agir antecipadamente para amenizar os sintomas mais graves. Porém, é possível fazer uma estimativa de crianças por ano com autismo em cada município e se planejar para a contratação desses profissionais. “Quer dizer que todo ano crianças autistas não poderão estudar e terão que esperar o próximo Censo para a contratação desses profissionais? Não se trata apenas de recursos financeiros. É preciso se aprofundar nessa questão e ter vontade de encontrar maneiras de se garantir o que está na lei. Nossos filhos precisam estudar e aqueles que comprovadamente necessitam de mediador, tem que ter respeitado esse direito.”, questiona um pai ouvido por nossa reportagem.

Por conta do tempo de entrevista, não foi possível se aprofundar nessa questão diretamente. Porém, a reportagem do Grupo RBP de Comunicação se compromete a acompanhar nas próximas entrevistas esse tema para que, de alguma forma, auxilie na agilidade da resolução desse problema. O espaço está aberto para informações por parte da secretaria de Educação sobre o tema.

Por fim, o grupo nos enviou uma carta com o sentimento dos pais e responsáveis sobre o autismo, um alerta para a sociedade em relação ao respeito e conhecimento sobre o tema.

Carta dos pais: 02 de abril, Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo

"2 de abril é o dia mundial da conscientização do autismo

Queremos explicar o porquê é necessário que todos tenham consciência sobre o Transtorno do Espectro Autista ou TEA (acreditamos que a informação combate o preconceito).

Nossas crianças e adultos atípicos ou com deficiência sofrem preconceito, discriminação e muitos julgamentos o tempo todo.

O Autismo se apresenta de um jeito único em cada pessoa, o que torna ainda mais complexo para família a busca por educação, por saúde, por esporte e lazer, ou seja, as necessidades básicas para todo ser humano.

A luta por inclusão se torna uma ação constante na vida das famílias e cuidadores da pessoa com autismo.

Com todas as suas particularidades no seu modo único de ser, tarefas que nós consideramos simples e rotineiras são um desafio e demandam intervenção desde muito cedo.

Para os autistas, temos que ensinar coisas que para crianças sem o transtorno são naturais, o que acarreta sobrecarga para famílias. Por exemplo, olhar nos olhos é algo que tem que ser ensinado para uma criança com TEA, enquanto uma criança típica o faz sem requerer qualquer tipo de treino ou ensinamento.

Agora imagine a realidade de tarefas mais complexas mas igualmente importantes?

Autocuidado, instinto de preservação, perigo ou ainda comer ou se vestir, tudo é aprendido com esforço e com dificuldade, isso sem falar da sobrecarga emocional e sensorial das crianças que podem gerar crises e ainda outras dificuldades. É um mundo que só as famílias TEA conhecem e que a sociedade não enxerga e não entende.

Mas, para além do desenvolvimento cognitivo, autistas também precisam de cuidados médicos, multidisciplinares, escolas inclusivas que respeitem suas limitações para que eles se desenvolvam ao longo de sua vida.

Todas essas situações citadas anteriormente convivem diariamente com preconceito e exclusão. Julgamentos por seus comportamentos diferentes ditos como inadequados.

As leis que existem e que serviriam para proteger as pessoas com deficiência é ferida, violada pelo poder público ao negar acesso aos serviços de saúde dentro das necessidades dos Autistas. Igualmente negam o direito à uma inclusão equitativa e inclusiva, além de negarem o direto ao esporte e lazer, pois não há nenhum recurso disponível para este fim em nossa cidade.

Não oferecer uma vida com dignidade às pessoas com deficiência, é violar leis, é segregar.

E por este motivo, nos reunimos como Mães para lutar pela garantia dos diretos dos filhos.

Precisamos da aceitação da sociedade de modo geral, com respeito e empatia para olhar para as pessoas com necessidades especiais como indivíduos que merecem uma vida plena e feliz dentro de suas possibilidades. E que entendam a vulnerabilidade em vários aspectos, e a necessidade de que o cuidado e a proteção venham de todos.

LUTAMOS para que eles tenham acesso a tratamento, para que se tornem mais independentes dentro de suas possibilidades, mas a maioria não tem acesso aos tratamentos adequados tornando o desenvolvimento impraticável.

A luta contra o preconceito se faz com a informação e hoje precisamos que todos tenham consciência que o Transtorno do Espectro Autista existe e que precisamos olhar e respeitar a individualidade de cada um e saber que ali também existe uma pessoa que tem a contribuir e muito mais a nos ensinar."

Rua Ana Nery, 120 - 9º andar
Centro, Barra do Piraí - RJ
CEP 27123-150
Tel.: (24) 2443-1470 (AM)
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