Domingo, 27 Setembro 2020
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Maior facção criminosa de São Paulo cresce na Região Sul Fluminense

Segundo levantamento publicado pelo Jornal Extra, em Barra do Piraí o Primeiro Comando da Capital (PCC) comanda o tráfico de drogas no bairro Morro do Gama. Facção cresce em todo o estado, assim como a violência (Foto: Tabela Extra)

O Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção do tráfico de drogas de São Paulo, formou um cinturão no interior do Estado do Rio, é o que diz um levantamento feito e publicado pelo Jornal Extra com base em processos judiciais, investigações das Polícias Civil e Federal e dados da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, que revelam que o grupo tem bases em dez cidades no estado — espalhadas pela Costa Verde, Região dos Lagos, Sul e Centro-Sul Fluminense. Em pelo menos três dos municípios, o grupo instalou bocas de fumo. Nos outros, mantém uma estrutura logística para venda de drogas a facções parceiras.

Para policiais que investigam o bando, a facção de São Paulo ocupa, no interior do Rio, vácuos de poder deixados pelas quadrilhas do estado. O interesse dos paulistas é tanto estabelecer novas rotas para a capital do Rio e para Minas Gerais quanto abastecer mercados de cidades de porte médio.

Barra do Piraí na rota do PCC

Em Barra do Piraí, o chefe do tráfico foi cooptado pelo grupo paulista dentro da cadeia. Zandonaide dos Santos Rodrigues, o ZD — alvo de uma operação da PF no dia 25 — domina a venda de drogas no Morro do Gama, uma das comunidades mais populosas do município. Até 2017, quando estava solto, ele se dizia integrante da segunda maior facção do Rio. No Complexo de Gericinó — onde cumpre uma pena de mais de 20 anos — ZD foi batizado e virou membro da facção paulista.

A PF descobriu que, hoje, ele é o segundo homem da hierarquia da quadrilha no Rio: segundo a investigação, ele integra o grupo “Geral do Sistema da Sintonia RJ”, responsável pela gestão dos interesses da facção no sistema penitenciário. Entre suas incumbências, estão a procura e batismo de demais integrantes e ajuda a outros membros — cujos parentes estejam passando por dificuldades financeiras, por exemplo.

Da cadeia, ZD segue chefiando o tráfico em sua cidade natal: numa ligação interceptada pela polícia, o traficante determinou que câmeras sejam instaladas na comunidade para monitorar a movimentação da polícia.

Investigação da PF também revelaram que antigas “mulas” da facção, que eram responsáveis por transportar drogas de São Paulo para o Rio, subiram na hierarquia do grupo após serem presas. Como já eram membros da facção, podiam batizar outros integrantes na cadeia. É o caso do paulista Luciano Iatauro, o Da Leste, preso em janeiro de 2018 num ônibus de passageiros em Barra do Piraí.

Na ocasião, um cão da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acusou a presença de droga numa bagagem, e o motorista apontou que Iatauro era o dono. Na mala, foram encontrados 44 quilos de maconha.

Ele afirmou que receberia R$ 2 mil da maior facção do tráfico de São Paulo para transportar a mala até a Rodoviária do Rio. Hoje, segundo a PF, Iatauro, preso na Penitenciaria Industrial Esmeraldino Bandeira, no Complexo de Gericinó, é o homem forte da facção no Rio.

Ligações telefônicas interceptadas pela PF mostram que ele é responsável por mediar a logística de fornecimento de drogas e armas da facção paulista para a quadrilha parceira do grupo no Rio.

Na região, Três Rios é a cidade mais invadida pela facção

Três Rios, no Centro-Sul Fluminense, é a cidade do estado com maior penetração da facção. A proximidade do município com Minas Gerais facilitou a entrada do grupo criminoso, que também tem braços em Juiz de Fora, 60 quilômetros de distância apenas. Segundo a investigação da PF que culminou na Operação Fluvial, de 2019, mesmo preso em São Paulo, o paulista Marcelo Araujo da Silva, o MM, fornece a droga que é vendida nos bairros da cidade dominados pela facção.

Desde 2018, o pacato município é palco de uma guerra entre o grupo paulista e a maior facção do Rio. Os homicídios em Três Rios explodiram com a disputa: foram 47 em 2019, contra 17 no ano anterior. O episódio mais sangrento da guerra foi uma chacina num bar no bairro Vila Isabel — localidade dominada pelos paulistas — em agosto do ano passado. Na ocasião, quatro homens da facção de São Paulo foram mortos por rivais.

Informações reproduzidas do Jornal Extra

Rua Ana Nery, 120 - 9º andar
Centro, Barra do Piraí - RJ
CEP 27123-150
Tel.: (24) 2443-1470 (AM)
(24) 2443-1098 (FM)

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